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Iêmen - Parte II Terra de Mistérios e Fortes Tradições Islâmicas Por Márcia Pavarini
Postado em 02/05/2006
CIDADES DE TIJOLO DE SOL
 Palácio do sultão sobre a rocha
Considerada como “jóia” entre todas as cidades islâmicas, a arquitetura da cidade velha de Sana’a, capital do Iêmen, distingue-se da de qualquer parte do mundo.
Os centenários sobrados, chamados casas-torre, feitos de tijolos de barro secados ao sol, são robustos, apesar da aparente vulnerabilidade. O primeiro andar é edificado em basalto, os demais, com o típico tijolo artesanal ornamentados com elaborados frisos, ou elementos vazados, formando desenhos geométricos.
Todas as janelas levam um contorno branco, usado co m muita imaginação. Os sobrados mais antigos ostentam na fachada, uma estrela de Davi.
O térreo era utilizado para abrigar os animais, onde, hoje, funcionam as abarrotadas lojinhas do “suq”. O primeiro andar, serve como depósito. O segundo, é o local onde o anfitrião recebe seus convidados; os últimos são distribuídos como quartos de dormir para as várias gerações da mesma família. Um dos andares é destinado às donzelas solteiras e o último pertence ao patriarca.
As intrincadas construções de pedra no topo das áridas e quase inacessíveis montanhas, como a lendária Shihara, suas cidades fortificadas e os intrigantes sobrados feitos de “tijolos de sol” fazem do Iêmen um país de artesãos que professam a arte, nata, da arquitetura.
A excitante mistura de ruínas, monumentos e o colorido mercado de Sana’a, o “suq”, confinado entre as muralhas da cidade velha, levam o visitante a um estado de contemplação.
SOCIEDADE TRIBAL
Sua antiguidade, época em que pertencera a Ethiópia, conheceu o florescente reinado de Sheba, da rainha de Sabah, cujo encontro com o rei Salomão de Judá, (965-925 a C.) é mencionado em três livros sagrados: no velho testamento dos cristãos e judeus, na Bíblia ortodoxa da Ethiópia Kebra Nagast e no alcorão.
A história medieval do Iemen i nicia-se com o islamismo. Depois de um período de invasões, o Iemen acaba dividido entre norte e sul. Recentemente, os dois países unificaram-se para formar a República do Iemen, com a capital política em Sana’a e a econômica em Aden, na costa sul. Mas a divisão interna entre as tribos das montanhas do norte do país e da região de Mareb, antiga capital do reino de Sheba, impede uma política homogênea, dificultando o controle do governo sobre os conflitos tribais.
Enquanto o islamismo unifica o credo, a tradicional estrutura tribal divide a população iemenita em distintas unidades, que podem ser chamadas de Federações tribais, de acordo com a sua importância. Cada tribo elege um Sheik, que deve ser um homem respeitável e sensato que, supostamente, resolve os conflitos entre os membros da sua tribo, de acordo com a lei islâmica. Em algumas regiões, como Shihara, a punição por um crime é de acordo com a lei tribal, valendo esta regra, também, para um estrangeiro. Muitos acreditam que em razão da heterogeneidade e rivalidade tribais a população civil do Iêmen seja tão armada.
 SEQUESTRO À MODA ANTIGA
Na década de 90, houve notícias de seqüestros de turistas no Iêmen. A vítima, geralmente, muito bem tratada, era libertada em troca de benefícios de seu país de origem utilizados para melhorar a infra-estrutura da tribo dos seqüestradores. Ao ser liberado, o seqüestrado recebia presentes e até jóias de prata.
ESCOLTA MILITAR PARA VISITAR O IEMEN
Atualmente, não se têm notícias de seqüestros. Ainda assim, o governo adotou um procedimento ostensivo para garantir a segurança do estrangeiro. Para se visitar as regiões consideradas de risco, é necessária uma escolta militar com cinco ou seis soldados armados de metralhadoras. A cada 50 km, há uma barreira militar que inspeciona a autorização de passagem, previamente requerida pela agência de turismo, onde constam todos os dados de cada um que segue viagem para a região norte e leste do país.
Não perca! Na próxima edição você vai saber quem é considerado como “terceiro sexo” no Iêmen. Quais são os objetos caseiros utilizados para a circuncisão (retirada do clitóris) das meninas e qual é o vício nacional da população do Iêmen.
Leia a parte I desta matéria...
Leia a parte III desta matéria...
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Márcia Pavarini
Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

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