Em três etapas vamos publicar os trinta lugares no
planeta,
selecionados por Márcia Pavarini, onde se deve conhecer
*
Fotos Márcia Pavarini
PARTE
I
Acesse: Parte
II | Parte
III
ANTÁRTIDA (Mar de Ross)
Nas
pegadas dos exploradores

Enfrentar ondas de 12 metros num quebra gelo russo de
2.300 cavalos para se chegar à região Antártica, parece brincadeira perto das
expedições dos exploradores que o faziam num navio de madeira a vapor, no início
do século XX. Minha viagem começou no porto de Bluff, no extremo sul da Nova
Zelândia. O destino era um passeio pela história, congelada no tempo, através
das cabanas que os antigos exploradores construíram ao longo da Costa, na região
do Mar de Ross. As cabanas serviam como abrigo e depósito de mantimentos e
animais para os membros das duas expedições de Scott e Shackleton, durante os
anos em que passaram incomunicáveis dedicando-se a pesquisas científicas e
preparando-se para a jornada até o Pólo Sul geográfico. Quatro delas, todas
mobiliadas, permanecem intactas depois de quase cem anos. A mobília, o
fogão, prateleiras com mantimentos, medicamentos, beliches, roupas, meias,
luvas, cobertores, livros, laboratório fotográfico, o pingüim dissecado sobre a
mesa, seus ovos, entre outras coisas, nos fazem crer que a tripulação retornará
a qualquer momento. A visita às cabanas, a magnífica paisagem das geleiras e a
prodigiosa fauna antártica, fazem desta viagem uma experiência
inesquecível.
AURORA BOREAL
Yellowknife -
Canadá

O que se faz em Yellowknife (próximo ao círculo polar ártico) nas
madrugadas de inverno, a céu aberto, sob um frio congelante de -53Cº? A resposta
é: Olhar a Aurora Boreal.
A oportunidade de ver o fenômeno, onde luzes
coloridas invadem o horizonte, surgiu quando fui para o Canadá visitar uns
parentes em Edmonton. Embarquei, então, com destino a uma pequena cidade chamada
Yellowknife, no estado canadense de Norwest Territories, a 400 quilômetros do
Círculo Polar Ártico.
De roupas polares, botas e luvas com isolamento
térmico, segui com o grupo até o Aurora Village, um observatório a 20 km de
Yellowknife composto de tendas de apoio ao visitante.
O clarão começa a
surgir no horizonte e, pouco a pouco, vai pincelando a escuridão de diversos
matizes. Em poucos minutos, uma enxurrada de luzes coloridas invade o céu em
movimentos ondulantes parecendo unir a terra ao paraíso.
O site para
contato é http://www.auroravillage.com
E-mail:
info@auroravillage.com
Fones:
867-669-0006
Endereço: Aurora Village P.O Box 1827 Yellowknife N.T X1A
2P4
IÊMEN

Fazer turismo no Iêmen não é lá muito fácil, principalmente para
as mulheres, que devem se cobrir de acordo com os costumes radicais shiitas, sob
o escaldante calor de até 50ºC. Para se visitar as regiões consideradas de
risco, é necessária uma escolta militar com cinco ou seis soldados armados com
metralhadoras. A cada 50 km há uma barreira militar que inspeciona a autorização
de passagem, previamente requerida pela agência de turismo do Iêmen. Mas,
atraída pela fama da arquitetura de tijolos de sol e pela tradição da sociedade
tribal em que ainda vivem os iemenitas, embarquei numa aventura vibrante (e nem
tanto segura) pelo país que tem a população civil mais armada do mundo. As
intrincadas construções de pedra no topo das áridas e quase inacessíveis
montanhas, como a lendária Shihara, suas cidades fortificadas e os intrigantes
sobrados feitos de “tijolos de sol” revelam a arte nata dos iemenitas na
arquitetura.Andar pelas ruelas do mercado da velha cidade de Sana, capital do
país, é entrar nas histórias das “1001 Noites”.
Para ler o diário
on line sobre a matéria, acessar:
O velho carro seguia em zigue-zague beirando os penhascos que
dominam o vale profundo. Lá em baixo, a corredeira do degelo abre seu caminho
pelo solo árido colorindo de azul o cenário cor de chumbo. Durante o trajeto,
tradicionais caminhões e ônibus ornamentados, que mais parecem carros
alegóricos, transitam pela estrada carregados de gente ou de tralhas da China.
Estávamos cruzando a longa, perigosa e quase intransitável Karakoran Highway que
liga o Paquistão ao deserto de Kashgar na China. Num panorama estonteante a
estrada Karakoran Highway, com 1200 quilômetros escavados nas montanhas, corta
férteis vales, platôs desérticos e aldeias perdidas no tempo. A Karakoran
Highway, surgiu de um acordo entre Paquistão e China e levou 30 anos e muitas
vidas para ser concluída. Ela segue rodeada pela zona de colisão das mais altas
cordilheiras do mundo e conecta a antiga rota da seda ao oásis do deserto de
Kashgar.
Quem gosta de aventura entre belas paisagens não deve perder
esse trajeto.
JAISALMER
A Cidade Dourada da
Índia

Acordei na cabine com areia até nos dentes. Isso indicava que o
trem já estava na região desértica do Rajastão, conhecida como a terra dos
Marajás.Quando o táxi adentrou a cidadela de Jaisalmer, cercada pela muralha, o
sol já raiava no horizonte dando reflexos dourados nos casarões. Em poucos
minutos, ela surge mágica à minha frente: uma cidade inteira da cor dourada do
deserto. A suavidade das fachadas fica por conta da arquitetura rendilhada.
Palácios, fortes, templos, sobrados e os ricos casarões chamados de Havelis,
foram delicadamente entalhados com um acabamento que mais parece uma renda.Os
HAVELIS ostentavam o status dos ricos mercadores na sociedade e a supremacia dos
marajás no século 16. Nas estreitas ruelas da cidadela o visitante disputa o
espaço com vacas, camelos, cabras, pedintes, vendedores, rikshaws,
lambretas, ciganos, mágicos, encantadores de cobra, gurus com turbantes
coloridos, ascetas seminus e tocadores de flauta. Mulheres esguias com lenços e
saias esvoaçantes dançam ao som das ektaras e dholaks fazendo tilintar as
pulseiras, tornozeleiras e correntes de prata presas do nariz à
orelha.
Por que visitar? Andar pelas ruelas estreitas e sinuosas de
Jaisalmer é viajar no tempo, flutuar nos sons e mergulhar nos aromas, que nos
leva a uma nova descoberta de cada sentido.
BONITO
O Paraíso ao Alcance dos
Mortais

Bonito é o tipo do lugar que a gente já vai esperando muito mas,
mesmo assim, ele consegue superar as expectativas. Lindo, divino e maravilhoso,
assim deveria chamar-se Bonito, cuja modéstia do nome não espelha a sua
grandeza. Este paraíso ecológico é de tirar o fôlego, seja no mergulho do Rio da
Prata ou na flutuação no rio Sucuri, nas cachoeiras ou na Gruta do Lago Azul,
onde a água turquesa e absolutamente cristalina revela o fundo a 70 metros de
profundidade.
Seus rios mais parecem aquários, onde se nada entre os
peixes e até piranhas já acostumados aos estranhos seres que diariamente invadem
as suas praias de água mineral, interagindo com o espetáculo da natureza. Boiar
ao sabor da correnteza, vendo os peixes grandes e coloridos passarem a
centímetros da máscara, é uma experiência que não se esquece antes da morte e,
se existir vida depois dela, eu aposto: quem viu, vai se lembrar de Bonito.
Depois dos passeios diurnos, o bom mesmo é curtir a vila, as baladas, a
culinária típica e, claro, sem deixar de tomar o sorvete assado que não
derrete.
Quem vai para Bonito, deve aproveitar para dar uma esticadinha
até o Pantanal, que não fica longe e é outra lembrança para toda
vida.
DELTA DE OKAVANGO
O Rio que morre
para dar vida ao deserto
Botsuana África

É indescritível a sensação de se entrar numa canoa, que mais
parece uma baguete francesa, e navegar pelo labirinto de canais, desviando de
tufos de papiros, lily water e admirar os elefantes e rinocerontes que vêm
saciar a sede às margens dos alagados em pleno deserto. Alagados em pleno
deserto?É o que acontece quando as águas do rio OKAVANGO, que percorrem mais de
mil quilômetros, são despejadas numa espécie de bacia, formando o maior Delta do
mundo: o Delta do OKAVANGO. Quando as águas baixam, a terra fica irrigada e
recoberta por uma espessa relva que atrai milhares de animais
selvagens.
Ignorando as leis da física, o rio OKAVANGO forma um Delta que
não deságua no mar. Espalha-se em forma de lagos, artérias e veias pelas areias
secas do deserto de Kalahari.. Os alagados formam os canais onde os nativos
navegam em rústicas canoas chamadas “MOKOROS”.
Vale a pena sobrevoar a
área para se ter uma idéia da ramificação dos canais. A visita ao Parque
Nacional Chobe, perto dali, com a maior população de elefantes da África também
é imperdível.
TURPAN - China
Grande Muralha
subterrânea - Sistema de irrigação Karez

Parece milagre que em uma bacia desértica, situada a 154 metros
abaixo do nível do mar(a depressão mais baixa da China), onde não há água
potável e a umidade é baixíssima possam se encontrar frutas saborosas, sombra de
parreiras e água fresca. Mas, graças ao famoso sistema de irrigação Karez tudo
isso é possível. Os 5.000 quilômetros de canais subterrâneos de irrigação
(muitos em funcionamento até hoje), não seriam nenhuma proeza não fosse o fato
de que foram escavados à mão e, alguns deles, há mais 2.000 anos. Não fossem os
canais, a cidade teria desaparecido do mapa. Essa monumental obra no subsolo de
Turpan leva nome de: “ A Grande Muralha subterrânea da China”. A água é
coletada no sopé das montanhas em poços verticais, a muitos quilômetros dali, e
conduzida aos campos de plantação de grãos e uvas por meio de canais de
irrigação subterrâneos.Mas Turpan oferece outras surpresas aos visitantes. Andar
num “táxi burro” pelas antigas ruínas no deserto, visitar as múmias de d’Astana,
inacreditavelmente bem conservadas, admirar a montanha em chamas e desvendar a
gruta dos mil budas é uma experiência quase extraterrestre.
UGANDA - Selva de Biwindi
Primos
Primatas

Acampamento: “Base camp” da floresta
de Biwindi.
Visitar um primo num país distante não é tão difícil
assim, mas quando esse primo é um GORILA, e mora na selva impenetrável de Bwindi
em Uganda, a história fica um pouco mais complicada. São doze horas de vôo, onze
de carro, duas de trilha e mais seis horas de treking, montanha acima, pela
selva impenetrável, para visitar nosso primo Gorila, o mais espetacular Primata
da nossa era. Saímos do “base camp” as 4h da manhã escoltados por militares
armados com metralhadoras. Depois da chacina dos turistas por rebeldes do Congo
na década de 90, o governo intensificou a segurança dos estrangeiros na área. A
subida íngreme que precedia ao paredão de selva luxuriante deixava claro que não
ia ser nada fácil. No início, o solo barrento engolia nossas botas até o
tornozelo. Depois, o chão desmanchava-se em degraus de pedras
soltas.
Após várias horas de escalada pelas entranhas da mata, alcançamos
a selva impenetrável. Ainda não podíamos vê-los, mas já sentíamos a sua
presença. Minutos depois, surge a criatura mais espetacular da selva. Com um
olhar contemplativo, mas atento, o primata encara o seu semelhante “humano”, com
quem divide 97% da carga genética.
A viagem para Biwindi não é das mais
baratas, mas ver um gorila a dois metros, brincando de pega-pega com o filhote
não tem preço. A floresta impenetrável de Bwindi abriga os últimos habitantes
remanescentes de Gorilas da montanha.
ILHA DE PENTECOSTE
Arquipélago de
Vanuatu - Pacífico Sul, Melanésia
Aa Ilhas dos Homens de
Ontem

Pular de torres de 30 metros de altura, caminhar sobre brasas e
dançar nas cinzas do vulcão em atividade para apaziguar os espíritos, são alguns
dos extravagantes rituais dos homens que ainda vivem no passado.
Não foi
só a beleza natural desse arquipélago formado por 83 ilhas, cercado de atóis,
polvilhado de vulcões e coberto por florestas tropicais que me fez encarar quase
30 horas de viagem para chegar até ali. Eu queria , mesmo, era ver de perto o
extravagante ritual chamado Naghol, que acontece anualmente na Ilha de
Pentecoste para comemorar a colheita do inhame, base de alimento da Ilha.É
difícil acreditar que uma pessoa pule de cabeça de uma torre (feita com galhos
amarrados), de 30 metros de altura, com apenas uma fibra amarrada em cada
tornozelo, sem se estatelar no chão. E, para surpresa de muitos, raramente
ocorre um acidente fatal. Naghol”significa “mergulho em terra”, cuja prática
veio a inspirar o “Bungy Jump”. Os nativos, descendentes de tribos canibais da
melanésia, mantêm as tradições de seus ancestrais, menos, é claro, a
antropofagia, costume erradicado pelos colonizadores ingleses e franceses
que foram contemporâneos no arquipélago.
Para assistir ao eletrizante
ritual acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=MdmbkeJe6zo