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UGANDA PARTE II - Depois de ficar cara a cara com os Gorilas, Márcia Pavarini parte para outra longa caminhada pela selva...
Postado em 28/03/2005

Primos primatas de Uganda PARTE
II Por Márcia
Pavarini
Depois de ficar cara a cara com os Gorilas
da selva impenetrável de Bwindi em Uganda, Márcia Pavarini parte para outra
longa caminhada pela selva, onde visita o curandeiro Alphonse, a tribo dos
pigmeus Batwa (onde participa de um ritual), as fábricas artesanais de GIN de
banana e uma escola dentro da floresta.
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Místico, poderoso
e respeitado Alphonse Bifungo, o curandeiro de Buhoma, em Uganda, é uma das
figuras mais importantes da comunidade. Ele vive com a mulher e dois filhos numa
cabana de barro no coração da mata, a muitas horas de caminhada da Vila, por
estreitas trilhas, entre plantações de chá e de banana, onde recebe os doentes e
moribundos para aplicar-lhes poções preparadas com plantas medicinais e raízes
da selva impenetrável.
80% da população de Uganda continua dependendo da medicina tradicional
como forma de tratamento. Encimado por um estranho chapéu de pele e vestido
numa jaqueta de couro curtido, Alphonse exibe, com orgulho, seu tabuleiro
repleto de raízes e folhas e explica, em francês (porque ele é original do
Congo), as propriedades de cada planta e suas aplicações na medicina natural.
Este notável Xamã afirma que tem uma poção para cada tipo de doença e garante
que já curou impotência, esterilidade, demência, sífilis, verminoses, câncer,
problemas de rins, estômago, mas confessa: _AIDS eu não curo, mas trato das
conseqüências que a enfermidade pode causar. Alphonse é capaz de andar vários dias para atender a um doente, sem
cobrar nada em troca.
BANANA, CERVEJA OU GIN? É difícil acreditar que seja
possível se fazer CERVEJA e GIM de banana. E eu, como São Tomé, só depois de ver
e de beber é que fui crer. Uganda é conhecida como República da Banana
(Banana Republic), não só porque é um dos maiores produtores mundiais, mas
também porque esta fruta constitui-se em meio de subsistência de 40% da sua
população.
Existem dezenas de espécies de banana na região que podem ser
consumidas como simples frutas ou transformadas em CERVEJA (rwarwa, muito usada
para matar a sede) ou destiladas em forma de GIN (waragi) fase altamente
alcoólica. As destilarias de banana são rudimentares e, geralmente, instaladas
no fundo do “quintal” da família cujo procedimento é passado por
gerações.
A bebida é feita artesanalmente e passa por vários processos
até chegar à fase de destilação. Depois de um amadurecimento forçado, a
banana é descascada e amassada COM OS PÉS, numa espécie de canoa feita de
tronco, chamada BANANA BOAT. Essa massa é misturada com açúcar e deixada para
fermentar, em seguida é fervida, quando então, o suco passa a ser extraído e
pode ser consumido em seu três estágios: O mais cru e doce, parecido com a nossa
garapa; o mais cozido e mais azedo semelhante ao vinho branco e, por último a
destilada, quando se torna cristalina e alcoólica como a nossa
cachaça.
MUKONO, UMA ESCOLA ADOTADA PELOS
PAIS Em meio à selva, pais com parcos recursos dão, ao mundo, uma
lição de solidariedade. Cada tijolo, cada lápis e cada caixote que
serve de carteira são doados ou fabricados pelos pais dos alunos que freqüentam
a escolinha de Mukono. Os professores são voluntários que partilham um sonho
comum: manter a escola funcionando, já que o governo nem se lembra que ela
existe.
OS PIGMEUS
BATWA Eles viviam no coração da selva impenetrável de Bwindi, em
Uganda, e alimentavam-se com carne de gorilas. A partir do programa de
preservação desta espécie em extinção com a delimitação do Parque Nacional
de Bwindi, os pigmeus foram removidos para as chamadas “vilas artificiais”.
Fora
de seu habitat natural, viram-se obrigados a modificar seus hábitos
alimentares.Entrando em contato com os nativos locais e outras tribos mais
civilizadas, seus costumes sofreram influência cultural e
miscigenação da raça. Como conseqüência, os pigmeus Batwa que mediam poucos
centímetros, passaram a ter em média 1,30m de altura. Hoje, eles constituem uma
minoria marginalizada. Apesar de tudo, buscam em suas raízes, as tradições
dos rituais e das danças simbólicas. Durante a visita, os pigmeus realizaram
um ritual cuja coreografia e cânticos contam os benefícios da floresta e exaltam
a sua importância para o Planeta. Infelizmente, nem todos os homens se dão
conta disso. |
Fonte: Por Marcia Pavarini
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Márcia Pavarini
Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

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