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    Salar de Uyuni - A Imensidão branca
    Postado em 26/02/2022

    Por Marcia Pavarini - Texto e Fotos


    A paisagem parece ter nascido de uma inspiração surreal da natureza. A primeira impressão é a de uma visão polar, só que, em vez de neve, é sal que brilha como partículas de cristal, estendendo-se por uma imensidão branca até o horizonte, onde esbarra com o céu de um intenso azul.

    Coberto por um mar de sal, cercado por vulcões de até 5.000 metros, atividades geotermais, ilhas de cactos gigantes, vales, desertos, formações rochosas e lagos coloridos com flamingos, o Salar de Uyuni é o único ponto natural brilhante do planeta que pode ser visto do espaço.

    Enigmático e surpreendente, é um mágico espaço de sal e silêncio que abre a porta da Bolívia para o resto do mundo.

    Localizado ao sudoeste da Bolívia, nos departamentos de Potosí e Oruro, a uma altitude de 3.665 metros acima do nível do mar, o Salar de Uyuni é considerado a maior planície salgada da Terra, com aproximadamente 12.000 km² de extensão.


    A viagem ao Salar é quase obrigatória para turistas e aventureiros que passam pela Bolívia. A porta de entrada para o Salar é o povoado de Uyuni. Em aymara (dialeto indígena), o termo "Uyuni" significa "pessoa que tem uma fazenda".

    Quem decide visitar esse deserto branco deve estar preparado para encarar uma pequena aventura. Chegar ao povoado de Uyuni é uma maratona que inclui vários meios de transporte, como avião, ônibus, veículo 4x4 ou trem. O aeroporto mais próximo fica na cidade de Potosí, a 220 km de distância. Mas, acredite, vale a pena o esforço para chegar até lá.

    Entre as várias alternativas, a mais conveniente é pegar um voo da capital, La Paz, até a cidade de Potosí, de onde partem ônibus para Uyuni. Como a maioria das estradas que levam ao povoado não é asfaltada, o caminho é um verdadeiro reboliço de pedras e cascalhos, com trechos em obras. Assim, o trajeto entre Potosí e Uyuni pode levar de 4 a 5 horas.

    Outra opção é embarcar em um ônibus de linha regular em La Paz com destino a Oruro (aproximadamente 3 horas de viagem) e, dali, seguir de trem até Uyuni, um percurso de 326 km que leva cerca de 7 horas. Também é possível chegar a Uyuni pelo Chile, via San Pedro de Atacama.

    A estrada de Potosí até Uyuni passa por paisagens inusitadas, com vista para a Cordilheira Oriental, plantações de quinoa, cerrados, montanhas, povoados indígenas perdidos no tempo e infindáveis campos salpicados por bandos de lhamas e vicunhas, que suavizam a aridez do solo.


    A remota cidade do Salar de Uyuni é um verdadeiro "fim de mundo", com um aspecto desolado e quase sem interesse turístico, contando com hotéis rústicos e apenas algumas ruas asfaltadas. Vista de longe, a cidade parece uma faixa cinza no meio do nada, misturando-se à paisagem desértica.


    Situado em um altiplano a 3.665 metros de altitude e com pouco mais de 1 km de raio, Uyuni tem uma população de aproximadamente 20 mil habitantes, em sua maioria quíchuas, herdeiros da cultura secular do Império Inca. O povoado não tem muito a oferecer, mas basta uma caminhada pelas ruas do centro, pelo mercado campesino ou pela feirinha de artesanato na Avenida Arce para mergulhar na cultura local.


    É, no mínimo, exótico ver o vai-e-vem das "Cholas" — camponesas indígenas de expressão dura e tez queimada, dentes com ouro e sorriso velado — que mantêm, há séculos, a mesma forma de se vestir: saias pregueadas em cores vibrantes até os pés, sobre anáguas encorpadas (chamadas polleras), blusas estampadas e um chapéu-coco típico coroando duas tranças. Sempre carregam um xale colorido nas costas, usado para transportar uma criança ou algum fardo — muitas vezes mais pesado do que o próprio corpo. Esse visual está diretamente relacionado ao orgulho de sua identidade.


    Com isso, é lógico que a figura das “cholas” desperta muita curiosidade nos forasteiros. Mas não adianta tentar enquadrar o alvo num “clique” despretensioso, pois... “para sacar fotos hay que pagar!", dizem.

    RUMO AO SALAR

    É possível visitar o Salar por conta própria, porém, é necessário contar com um veículo 4x4, ter prática para dirigir em terrenos acidentados e contratar um guia que conheça muito bem o local. O passeio independente é totalmente desaconselhável, já que as operadoras de turismo locais oferecem o tour com total segurança e guias especializados, por um preço acessível.

    Os tours são feitos em veículos 4x4 e saem de Uyuni por volta das 9 horas. A pontualidade não é uma prática que deve ser esperada. O circuito de três ou quatro dias (que sai e volta para Uyuni) cumpre um roteiro de aproximadamente 1.000 quilômetros, passando por lugares de uma beleza sem precedentes e paisagens de tirar o fôlego até mesmo do mais experiente viajante.

    Cada veículo 4x4 mais parece um caminhão de mudança. Além de seis turistas, o motorista, o guia e a cozinheira (todos locais), ainda há uma tralha considerável amarrada ao teto: mochilas, mantimentos, panelas, comida, sacos de dormir, garrafas de água e reserva de combustível, pois não há qualquer chance de abastecimento durante o trajeto. Essa regra não se aplica se a opção de passeio for de apenas um dia.

    E, depois de amarrar a bagagem e recolher cada passageiro, finalmente os veículos partem de Uyuni para a grande aventura no deserto salgado.


    1º Dia (do circuito pelo Salar)

    Cemitério de Trens

    O primeiro pit stop, antes de pegar a estrada que leva ao Salar, é no inusitado Cemitério de Trens, localizado a poucos quilômetros do povoado.

    No passado, o local foi um importante cruzamento de ferrovias utilizadas para transportar minérios, ligando a Bolívia ao Chile e à Argentina, de 1889 a 1987.

    Com a desativação da ferrovia, locomotivas e vagões foram abandonados, formando um pátio de trens sucateados.

    É uma coleção incrível de históricas locomotivas a vapor, corroídas pelo sal e enferrujadas, de todas as formas e tamanhos, que colorem o grande descampado desértico.


    O fato mais surpreendente é que, entre as sucatas, estão os restos do trem assaltado por Butch Cassidy e Sundance Kid, dois foras da lei norte-americanos que teriam sido mortos na Bolívia em 1908, acusados pelo exército local. Essa história foi retratada no filme Butch Cassidy (1969), com Paul Newman no papel de Cassidy e Robert Redford como Kid.

    Salinas do Salar

    A 31 quilômetros de Uyuni, seguindo viagem em direção ao noroeste, a próxima parada é no Pueblo de Colchani. Esse minúsculo povoado sobrevive da extração do sal, utilizando um processo tradicional e artesanal de refinamento, iodização e embalagem. Tudo é feito manualmente, preservando técnicas seculares.


    Em Colchani, é possível também reforçar o estoque de agasalhos nas barraquinhas de artesanato – uma ótima oportunidade para se preparar para as baixas temperaturas do Salar. Os preços são acessíveis, quase simbólicos, e há uma grande variedade de peças, como blusas, xales e cachecóis de lã de alpaca, todos em cores vibrantes e confeccionados com a criatividade artesanal da cultura quéchua.

    E acredite: por mais que você ache que está levando roupas suficientes, o frio do Salar sempre encontra uma forma de atravessar as camadas e atingir os ossos – especialmente nas noites de inverno e na meia estação.

    Imensidão Branca


    A partir de Colchani, o cenário começa a se transformar. Aos poucos, a poeira diminui e a paisagem se torna cada vez mais branca. A primeira impressão é a de estar em um desolado canto do Ártico. A brancura ofuscante se estende até onde a vista alcança, fundindo-se com o azul intenso do céu no horizonte. E, sem perceber, já estamos nos domínios do magnífico Salar de Uyuni.


    Não há uma estrada delimitada. Os motoristas experientes vão buscando o melhor caminho pela imensidão branca, que varia conforme a estação seca ou chuvosa. Alguns quilômetros depois de Colchani, é possível avistar centenas de cones de sal, amontoados pelos extratores, que precisam remover uma camada de 5 cm para alcançar o sal de boa qualidade, adequado para o consumo nacional.

    Logo na entrada do Salar, surge a pergunta inevitável, e é a que os guias mais respondem: como surgiu tanto sal a uma altitude de 3.663 metros acima do nível do mar? A origem remota dessa fenomenal crosta salina está no pré-histórico Lago Minchin (que existiu de 40 a 25 mil anos atrás), que ocupava uma bacia no altiplano, cobrindo grande parte do sudoeste da Bolívia. Quando as águas do Minchin evaporaram, restaram duas enormes poças de argila chamadas Lago Poopó e Uru Uru, além de duas gigantescas concentrações de sal: os Salares de Uyuni e Coipasa.

    A área de 12.500 km² do Salar representa aproximadamente metade da superfície do estado de Sergipe. O solo é formado por 11 camadas de sal, com espessuras que variam de 2 a 10 metros, alcançando uma profundidade impressionante de mais de 121 metros. A superfície do Salar lembra um quebra-cabeça, onde as peças são placas hexagonais que se encaixam perfeitamente, formando uma vasta manta branca de retalhos. Essas placas são as chamadas gretas de contração, formadas pelo contraste da temperatura quente durante o dia e o intenso frio à noite. Mesmo no verão, as temperaturas noturnas podem cair para graus negativos.


    O mais interessante é que o Salar continua se expandindo, uma vez que as águas das chuvas acabam depositando na parte mais baixa do altiplano os minerais lavados das encostas das montanhas e vulcões, que não têm saída para o mar. Ou seja, o Salar sofre uma drenagem interna e se autoalimenta com os resíduos minerais. Além do sal, o Salar constitui uma das maiores reservas do mundo de lítio, um mineral usado para fabricar desde remédios, baterias de celulares até o futuro substituto energético do petróleo. Ele também é composto de potássio, boro, magnésio, carbonatos e sulfatos de sódio.

    Em ritmo de aventura


    A programação dos três dias e duas noites é intensa. O circuito de 1000 km, que sai de Uyuni e volta para lá, percorre o Salar, a Reserva Nacional “Eduardo Avaroa” (REA), as lagoas e inúmeros pontos de interesse pelo caminho. As acomodações são precárias, o frio é de rachar, e cada refeição se torna uma experiência à parte. O cardápio, nada convencional, inclui até carne de lhama – que representa a carne de boi para o brasileiro – atum em lata e, com muita sorte, um franguinho racionado. Mas, acredite, no fim do dia ninguém vai se lembrar de que a carne de lhama estava uma sola de sapato.

    À noite, o comentário no alojamento gira em torno do deslumbre de cada passeio.


    Os 4x4 andam em comboio pela vastidão branca. Vans de várias agências acabam se juntando em cada ponto de visita. Depois de algum tempo rodando pela infinita paisagem branca, chega-se ao inusitado Hotel de Sal (que hoje funciona apenas como museu).


    À primeira vista, parece uma construção feita com blocos de mármore branco. Mas os blocos são de sal maciço. Aí, dá aquela tentação de passar o dedo na parede e dar uma lambidinha para conferir; eu mesma vi gente fazendo isso. Dentro do Hotel, está exposta uma coleção de esculturas (quíchuas), que não poderiam ser de outro material, senão de blocos de sal.

    Bandeiras de vários países hasteadas em frente ao Hotel de Sal.


    Mas a atenção dos grupos fica por conta das bandeiras dos vários países (inclusive a do Brasil) hasteadas em frente ao Hotel de Sal. Enquanto os patriotas disputam o espaço para a foto com o seu respectivo estandarte, o almoço é preparado no maleiro de cada veículo (o nosso era um Land Rover). E nada mais espetacular do que dar uma de "farofeiro", admirando aquela paisagem infinitamente branca.


    Ilha de Cactos Gigantes (Ilha do Pescado)


    Após o banquete ao ar livre, o passeio continua pela "estepe" salgada. E quando você acha que não vai se deslumbrar com mais nada depois de tudo o que já viu até ali, vai se deparar com um lugar "do outro mundo" e o ponto mais visitado do salar: a Ilha Incahuasi. Localizada no coração do Salar, a 80 km a oeste de Colchani e a 102 km de Uyuni, a ilha ergue-se como a miragem de um oásis, em pleno deserto branco. Também chamada de Isla del Pescado, a ilha calcária é coberta por milhares de cactos gigantes – o “Trichoreus” – e cercada pela planície de sal até onde a vista alcança.


    Subir a íngreme Isla del Pescado entre cactos de até 12 metros de altura pela trilha dos antigos Incas e Aymarás é uma experiência mágica.

    Do topo, a dramática vista é de tirar o resto do fôlego (um pouco dele a gente deixa durante a subida, já que o salar está a 3.663m de altitude).


    A imensidão branca toma conta da paisagem e todo o resto parece insignificante e minúsculo comparado à grandiosidade do panorama “polar”. É o momento em que dá para se imaginar no topo do mundo, vendo pessoas e carros como se fossem miniaturas, lá embaixo, no sopé da Ilha do Pescado.

    Ilha do Pescado - Altar de rituais


    No centro da parte mais alta da Ilha do Pescado, está o antigo altar de pedra, local considerado um dos mais sagrados da região, onde integrantes da civilização Aymará realizavam rituais de oferendas em agradecimento à “Pachamama” (mãe Terra). Esse ponto é um dos lugares prediletos para os amantes da fotografia.

    Ilusão de Ótica


    Depois da escalada na Ilha do Pescado, é hora dos “cliques” mais divertidos da viagem. Em razão de a topografia ser absolutamente plana, é possível fazer com que uma pessoa fique à mercê de uma monstruosa miniatura de dinossauro na foto, por exemplo. É um momento bizarro em que se vê todo mundo deitado no chão de sal (em decúbito ventral) com a câmera na mão para montar essa ilusão ótica, com o alvo a ser fotografado. Muitos guias fornecem o pequeno bichinho para as fotos.

    Mar de Sal


    Após o período das chuvas, que vai de dezembro a abril, o Salar fica coberto por uma lâmina de água, que pode atingir até 0,80 centímetros de profundidade. Mas os experientes motoristas só arriscam a travessia pelo centro do Salar com, no máximo, 0,50 centímetros, o que ocorre entre maio a setembro, época ideal para o passeio, que apesar do frio, é quando se vê parte do Salar seco e parte sob as águas.

    E é na época em que parte do Salar ainda está inundado que as 4x4 vão deslizando sobre a lâmina de água e levantando pequenas ondas como se fosse um bote. A sensação é extraordinária. O lençol de água funciona como um gigantesco espelho e reflete a paisagem invertida, elevando ao quadrado a beleza do cenário. E, nessa visão extraordinária, é difícil separar o céu da Terra.

    Depois de uma longa travessia pelo salar, chegamos já de noite ao minúsculo povoado de San Juan del Rosario, a 4164 m de altitude acima do nível do mar.

    A vila é composta, praticamente, por pequenos alojamentos, onde as operadoras de turismo acomodam os visitantes. O albergue San Juan é um dos poucos com luz elétrica, cama com colchão de verdade e, de quebra, por alguns bolivianos se compra um banho quente. Apesar de não haver nem sombra de aquecedor, dá para sobreviver ao frio com a ajuda dos sacos de dormir, além de alguns cobertores de lã. Quem não levou o saco de dormir, poderá alugá-lo na própria agência de turismo, antes do passeio.

    Em San Juan algumas pessoas podem sentir os efeitos do mal de altitude (soroche). O dica é chá de coca (erva que faz parte da cultura nacional) encontrado em qualquer biboca, muito líquido, e nada de álcool. O jantar (que está incluído no pacote) é servido no refeitório do alojamento, mas o evento vai além da refeição, vira uma espécie de confraternização entre os grupos, hora em que as experiências e fotos do dia são compartilhadas entre as pessoas de todos os cantos do mundo.

    2º DIA

    Necrópoles Aymará


    Com o sol raiando, o grupo faz o primeiro passeio da jornada do segundo dia. Uma caminhada de uns 20 minutos por uma picada de terra leva ao místico Cemitério da civilização Aymará: a Necrópoles Arqueológica de San Juan (séculos XII-XV d.C). Essa necrópoles é composta por 45 tumbas, distribuídas num planalto árido, das quais, mais da metade expõem restos de antigas práticas mortuárias - restos humanos, cerâmicas, tecidos e utensílios de pedra. São rochas ocas de calcário, onde os aymará deixavam, para morrer, os seus velhos ou incapazes de trabalhar ou acompanhar a família pelos campos. Os Aymará compunham a civilização Inca e foram conquistados pelos Quéchua entre o século XV e XVI.

    Deserto de Siloli


    No Deserto de Siloli, a paisagem muda de branca do Salar para avermelhada do deserto. Seguindo ao sudoeste de San Juan, e deixando para trás o pequeno Salar de Chiguana, o caminho em aclive leva em direção às montanhas pelo chamado “caminho do Condor”. A paisagem segue sempre emoldurada pelas montanhas nevadas e pelo cordão vulcânico, num cenário de extrema beleza natural.

    Almoço no Lago Caçapa


    A essa altura do passeio, já está na hora do rango, e nada mais esplendoroso do que comer (mesmo que seja carne de lhama) olhando para a magnífica vista do Lago Caçapa.

    Flamingos do Lago Caçapa


    A poucos quilômetros ao sul do Lago Caçapa descortina-se um rosário de Lagoas de sal em várias tonalidades, repletas de flamingos: a Laguna Hedionda, a Chiar Khota e a Ramadita, que emergem como um milagre do solo desértico.

    O dia é curto para tudo o que tem de ser visto, assim, o passeio deve continuar e é pé na estrada entre as montanhas, no chamado “Caminho dos Incas”, uma área pedregosa, onde as 4x4 gingam de um lado a outro para contornar as rochas maiores.

    Montanha das sete cores


    O caminho dos Incas leva ao chamativo “Cerro Siete Colores”, que mais parece uma pintura em tela, elaborada em sete tons da aquarela. A presença do enxofre e outros minerais produzem nas montanhas um efeito degradê, que vai desde o terracota ao mostarda. É uma região muito alta e ventosa.

    Continuando a jornada, ainda em direção ao sul da reserva, seguimos para o deserto de Siloli. Trata-se de uma extensão do famoso Deserto do Atacama, com areias douradas, cercado por picos nevados. O Deserto de Siloli compreende a região do Salar Uyuni, os vulcões e as lagunas altiplânicas no sudoeste da Bolívia.


    Deserto de Pedra


    O próximo destino é o Deserto de Pedra, (a 4600m) com formações rochosas inusitadas, caprichosamente esculpidas pelo vento.


    A mais célebre e mais fotografada é a chamada “Árbol de piedra” (Árvore de pedra), que se assemelha ao formato de uma grande árvore. A proeza de escalar algumas rochas por ali fica por conta dos que continuam com fôlego a essa altitude.

    Laguna Colorada


    A última visita do dia, e também a mais aguardada, é a “Laguna Colorada” (Lagoa Colorida), que fica a uns 30 km ao sul do Deserto de Pedra. Após uns 300 metros da entrada da Reserva Nacional da Fauna Andina Eduardo Avaroa, surge a gigantesca depressão preenchida pelas águas avermelhadas da Laguna Colorada. Lá em baixo, a impressionante lagoa vermelha, com nuances de amarelo (do enxofre) e de branco (do bórax e do sal), provoca um estado de contemplação, e é o clímax do passeio.

    A pequena profundidade (80cm) funciona como um espelho d’água e faz refletir a montanha invertida, que também se torna vermelha. A visão é estarrecedora.

    A cor avermelha da Laguna Colorada varia de tonalidade segundo as condições climáticas e a hora do dia, devido aos pigmentos das algas. A lagoa abriga três espécies de flamingos e é um dos poucos lugares em que se podem encontrar essas aves juntas, compartilhando o local de nidificação.

    Com o sol se pondo, a ordem é garantir um cantinho para dormir. Algumas operadoras têm seus próprios alojamentos, outras usam hospedagens mantidas por famílias locais. Na alta estação, há uma espécie de corrida entre as vans para chegar ao povoado primeiro e escolher o melhor refúgio.

    Alojamento Salvador Sulipas

    O alojamento Salvador Sulipas, no povoado de Huaillajara, fica dentro da Reserva Nacional, a poucos quilômetros da Laguna Colorada. Com sorte, a eletricidade funciona das 19 às 21, o banheiro é comunitário, água quente nem pensar. A maioria dos quartos aloja de 4 a 6 pessoas. Depois do jantar, servido no refeitório, e do costumeiro bate-papo entre os grupos, é hora de enfrentar o frio dentro dos sacos de dormir e fazer um retrospecto das maravilhas visitadas durante o passeio.

    3º DIA

    Campo Geotermal Sol de Mañana


    As atividades do terceiro dia começam cedo, aliás, de madrugada e ainda sem o café da manhã. O destino é o campo geotermal Sol de Mañana, mais ao sul da Laguna Colorada.


    Essa área, com uma extensão de 10 km², entre 4800m e 5000m de altitude, é caracterizada por uma intensa atividade vulcânica, com lagos borbulhantes de lama e fontes sulfurosas de gêiseres com jatos de vapor de 60 a 90 ºC que atingem até 50 metros de altura. A boa justificativa para acordar tão cedo é que as fumarolas de vapor só podem ser vistas no crepúsculo da manhã. A área, que mais se parece com o caldeirão do inferno, exala um forte e nauseante aroma sulfuroso.

    Termas de Polques


    O café da manhã é servido a poucos quilômetros dos gêiseres “Sol de Mañana”, num refeitório em frente às “Termas de Polques”, uma piscina termal represada à beira da “Laguna Salada”, onde novamente, todas as vans acabam se encontrando. Nada melhor do que um banho quentinho (a 30ºC) depois de uma noite congelante no salar.


    Com o sol ainda raiando, dá para fazer fotos interessantes, aproveitando o contraste do vapor, com o brilho dos raios nas águas do lago. E é um troca-troca de câmeras entre os grupos, porque todo mundo quer ser fotografado no vapor, em plena aurora.

    Seguindo o itinerário para o extremo sul da Reserva Nacional Eduardo Avaroa, a uns 52 km ao sul da Terma “Sol de Mañana”, e já aproximadamente 400 km a sudoeste de Uyuni, ergue-se majestoso o mítico Vulcão Licancabur, com seus 6000 metros de altitude, cujo pico abriga ruínas de uma antiga cripta Inca.

    Vulcão Licancabur à 6.000m separa Bolívia e Chile


    O Licancabur tem uma curiosa particularidade: uma face é boliviana e a outra chilena. No formato de um cone perfeito, o Licancabur domina duas das mais belas paisagens da América do Sul: a Província sul do López, na Bolívia, que engloba a Reserva Eduardo Avaroa e o Atacama no Chile.


    Aos pés desse gigante adormecido, repousa a “Laguna Verde” (4400m). A incrível tonalidade esmeralda da lagoa intensifica o contraste com o cinematográfico cenário pastel, proporcionando um espetáculo inusitado de contrastes, formas e cores. A coloração esverdeada é causada pela concentração de sedimentos minerais como o chumbo, enxofre e carbonato de cálcio. E, nessa imensidão de desertos brancos e lagoas coloridas, mesclam-se os matizes da aurora ou do ocaso, despertando intensas sensações.

    Terreno semelhante a Marte – experiência com robôs da NASA.

    Essa região montanhosa do Parque tem características semelhantes a Marte. Não é por acaso que cientistas russos e os americanos da NASA realizaram ali testes com os robôs, antes de enviá-los para aquele planeta.

    O Licancabur e a Laguna Verde - no extremo sul de toda a Reserva – são os pontos mais distantes de Uyuni - no circuito de 3 ou 4 dias que sai e volta para aquele povoado. Ali, próximo à Laguna Verde, a estrada se bifurca, e é onde alguns grupos seguem nas 4x4 para o Atacama, no Chile, enquanto outros iniciam o longo retorno para Uyuni. A volta é por outro caminho (a leste do percurso de ida).

    Deserto de Dali – formações surreais


    A partir daí, a viagem não fica menos interessante e revela surpresas inesperadas de beleza e vida, como lagos de sal salpicados de flamingos, picos nevados, vales, montanhas e desertos dourados como o pitoresco “Desierto de Dali” – assim batizado em homenagem a Salvador Dali, dada a incrível semelhança de formas com os quadros desse famoso pintor catalão. Tem, ainda, a vista ao “Vale de las Rocas”, cuja ação do vento torneou em rochas imagens bizarras de animais e figuras humanas.

    Ao cair da tarde, os veículos vão chegando de volta à cidade de Uyuni, e se apinhando ao longo da Avenida Ferroviária, que fica em frente à estação ferroviária, local onde se encontra a maior parte das operadoras de turismo do Salar.

    A cada noite, recomeça o vai-e-vem dos mochileiros, e o movimento toma conta da rua Arce e Plaza del Reloj – ícone da cidade – onde se concentram os cafés, lanchonetes e restaurantes. Os que chegam, estão cheios de respostas e muitas vezes compartilham as experiências com os que ainda não foram e que estão cheios de perguntas.

    Enquanto isso, a natureza mágica do Salar permanece generosa, aguardando cientistas que vêm em busca da verdade, turistas em busca da beleza e aventureiros atrás de liberdade de espírito.

    E, como num ciclo, o povoado amanhece vazio, à sombra de sua rotina “quéchua”, para que a noite vibre com forasteiros curiosos vindos de todas as partes do mundo.

    Texto (por Marcia Pavarini) publicado pela Revista Viaje Mais edição 126


    DICAS

    Levar roupa abrigada de inverno para montanha, os ventos são fortes e a temperatura baixa, notoriamente durante a noite; protetor solar, óculos de sol, chapéu ou boné. Em qualquer época do ano faz muito frio à noite.

    - Os pacotes que as operadoras de Uyuni oferecem, incluem veículo 4X4, guia/motorista, alimentação, alojamento, fora os ingressos ao Parque Nacional e museus. As operadoras promovem tours de 1, 2, 3 ou 4 dias. O preço é cobrado por pessoa e conforme a opção. O valor varia de acordo com a escolha do freguês (inclui o tour com guia, as refeições e o alojamento). A dica é comprar o pacote diretamente em Uyuni, que sai mais em conta.

    - A melhor época para visitar o Salar é entre os meses de maio e novembro. Nos meses de junho a setembro (inverno com até -15°C) as temperaturas são baixas durante o dia e congelantes à noite, mas é a época em que o Salar se encontra parte seco e parte inundado e com céu limpo e azul, ideal para fotografia. Os meses de chuva (verão) são entre janeiro e março, quando o Salar está normalmente inundado e se transforma num grande lago com até 0,80 centímetros de profundidade, o que muitas vezes impede a saída dos tours.

    Para evitar o mal de altitude é recomendável ficar uns dias em Uyuni para aclimatar-se, antes de sair para o passeio ao Salar.

    Operadora em Uyuni: Há dezenas delas, mas uma das mais bem cotadas é a Andes Salt Expeditions Tour Operator, www.andes-salt-uyuni.com.bo.

    Há inúmeros alojamentos e pensões na cidade do Salar de Uyuni, com preços para todos os bolsos. Quem quer mais conforto, pode ficar no Girasoles Hostel, no centrinho comercial (www.hotelgirasoles.net).

    No Brasil, a Climb Tour Operator (11-2649 2772) oferece um pacote para o Salar de 6 dias e 5 noites, incluindo também a visita turística ao Valle de La Luna, em La Paz.

    Melhor Pizza: Na Arco Iris Pub Pizzaria com música ao vivo aos sábados. Av. Arce 27.


    Comida típica:

    • Um bom almoço boliviano é composto de sopa, um prato principal com pão e sobremesa.

    • Chicharrón de lhama: Carne de lhama frita e servida com milho e queijo.

    • Timpu de lhama: Carne de lhama cozida com arroz, batata e pimenta amarela.

    • Sopa ou risoto de quinoa.



    Fonte: Por Marcia Pavarini


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